22 de novembro de 2004

diário

cansado. durante dez horas, assistir ao transformar do actor. o olhar de câmara e as convulsões internas do personagem. as subtilezas que se afinam. ser o chato, o que pede mais um take, enquanto a pessoa frente ao pano azul ignora as luzes, os microfones e o olho de vidro, e se imagina outro. cada palavra é espremida até que os seus vários sentidos escorram pela sala, nessas horas maior do que ela própria. transformada.
da universidade de turim chega-me a notícia que o "segura-te..." foi traduzido para a antiga língua, por vários estudantes. se fico contente? fico. pela partilha. só por ela. como quem faz - de alguma forma - novos amigos. vem-me à cabeça a figura das criaturas que andam pela net a alardear que descobriram erros e fragilidades no trabalho dos outros. ideia contrária à das traduções. vive mdo apoucar por razões claras e tristes. há crueldade divina no deixar que o fel cresça no coração de alguns. poderia existir lá um prado, se deixassem. mas o medo de si, o desprezo com que chamam em surdina o próprio nome, é mais forte.
de londres, e-mail de um antigo aluno, e amigo, por consequência. fala-me do país com o olhar de quem acaba de chegar e não se lembra bem onde deixou o guarda-chuva. fico contente de o saber em busca de mais conhecimento. um destes dias há-de escrever coisa maior. e não serei só eu a desejar-lhe uma aprendizagem frutuosa.
amanhã, oito horas de aulas. no meio, reuniões e trabalho extra. preparar tudo, antes de deitar.
cansado. e apesar disso vou gostar de acordar.

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